quarta-feira, 1 de maio de 2013

MEMÓRIAS DA SEPEX 2012

Foram tantas as experiências que nos marcaram e imagens captadas ao longo da 11ª Semana de Pesquisa e Extensão da UFSC que, ao rever nossos arquivos, encontramos materiais preciosos ainda não publicados em nosso blog e que merecem ser compartilhados. Assim, trazemos em nossa primeira postagem do ano de 2013 fotografias e audiovisuais que nos ajudam a constituir a memória/história deste Projeto na SEPEX e revelar as inúmera peças criadas ao longo do evento por adultos e crianças que visitaram nosso estande. 

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Colorindo com pó de terra

Desenhos sobre a argila coloridos com pó de terra 

Crianças descobrem e exploram os diferentes pós de terra coloridos

As peças criadas por adultos e crianças - desde a mais tenra idade -  irão, este ano, compor a imagem "final" desta etapa do ARTE NO MURO que buscou refletir e construir propostas artísticas e de experimentação de materialidades pelos bebês no Projeto.  Uma aventura na exploração inspiradora e criadora das forças da terra, da água e do fogo - esta última materialidade, na proposta de queima em forno elétrico das peças modeladas em argila.


domingo, 25 de novembro de 2012

MAIS UMA SEPEX FEITA DE SONHOS E REALIDADE

Sim, mais uma SEPEX construída a partir dos sonhos, da dedicação e do trabalho das crianças do NDI diretamente envolvidas no projeto, das suas professoras, dos bolsistas  do projeto (via SeCult) e da Bolsa Permanência, estagiária de educação física (NDI) e da equipe coordenadora do Arte no Muro! Mas sem dúvida, é uma SEPEX igualmente feita pela IMENSA PARTICIPAÇÃO DE TODOS AQUELES QUE DEIXARAM UM POUQUINHO DOS SEUS SONHOS E MODELAGENS EM NOSSO ESTANDE!!!  Assim, a postagem hoje é uma comemoração e um ato de agradecimento ao envolvimento dos visitantes em nosso estande ao longo de 11a Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão da USFC.

O bolsista Lucas e o professor Gilberto acompanhando de pertinho o trabalho da criançada!
Crianças e adultos conhecendo o trabalho do Projeto desenvolvido ao longo do ano.



Muitos adultos que passaram pelo estande, ao se permitirem tocar e serem tocados pela argila, trouxeram à tona em suas falas, inúmeras memórias de suas infâncias. Recordações de um tempo onde a criação com a terra/argila era uma brincadeira familiar, compartilhada com outras crianças e adultos. Imagens, sonhos, lembranças, vontades da criação que a amassadura na argila revigora.


" - Vou fazer o que o meu pai me ensinou quando eu era criança, um patinho!"

"Criar - termo forte - é criar uma criança. No sonho, as palavras se reencontram amiúde o seu sentido antropomorfo profundo. Alias, pode-se observar que a modelagem inconsciente não é coisista; é animista. A criança entregue a si mesma modela a galinha ou o coelho. Cria vida."
Gaston Bachelard


Até mesmo eu não resisti aos encantos do barro e comecei a modelar um "homenzinho".


"O sonho, porém,, trabalha depressa; o modelador adormecido logo termina assim sua narrativa onírica: Amassei e sovei a massa num instante e de repente tinha na mão um homenzinho maravilhosamente belo. O homunculos malaxado por certo provocara fáceis comentários psicanalíticos. Mas para nós, [...] ele é aqui o signo de um impulso estético profundo".
Gaston Bachelard 

Os "homenzinhos" das crianças também emergiram do barro!




" A imaginação das formas repousa em seu fim. Uma vez realizada, a forma se enriquece de valores tao subjetivos, tao socialmente intercambiaveis, que o drama da valorização se distende. Pelo contrário, o sonho de modelagem é um sonho que conserva suas possibilidades".
Gaston Bachelard


"O jogo leve dessa massa pesada
E de duas mãos que a estão trabalhando!
Como uma onda sem fim de imagens perecíveis"
Jean Tardieu

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

OS PORTÕES FORAM ABERTOS, SEJAM TODOS BEM-VINDOS A 11ª SEPEX - UFSC!

Mais uma vez, o PROJETO ARTE NO MURO está presente na SEPEX! A 11ª Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFSC (SEPEX), considerada um dos maiores eventos de divulgação científica de Santa Catarina, teve início na manhã desta quarta-feira. O evento, aberto ao público, apresenta aproximadamente 200 estandes com projetos nas áreas de comunicação, cultura, educação, tecnologia, ambiente, trabalho, direitos humanos e saúde, além de mini-cursos, palestras e uma diversa programação artística. As atividades acontessem no campus da Trindade, em Florianópolis (SC), sendo todas as atividades gratuitas e abertas à comunidade (http://sepex.ufsc.br/)

É com grande orgulho que este ano apresentamos, em nosso estande na SEPEX, o rico e delicado trabalho de moldelagem em argila feito pelos bebês, agora já transformado em cerâmica. Além de poderem ver as peças, os visitantes terão a oportunidade de assistir os vídeos produzidos pelos bosistas (Lucas de Mello e Fernanda Hartmann) e a coordenação do projeto e inúmeras fotografias impressas e digitais que nos ajudam a contar um pouco dos processos poéticos das crianças pequenininhas. 

Crianças e adultos de todas as idades, estão igualmente convidados para, em nosso estande, "meterem a mão na argila", experimentarem as provocações desta materialidade e deixarem suas marcas,brincarem, criarem peças que poderão virem a compor a visualidade final da nossa tela a céu aberto (muro) no ano de 2012-2013 no contexto do NDI. Aguardamos vocês no estande número 07 - área de educação (piso superior do Centro de Convivência-UFSC) !!!!!!

ESTANDE ARTE NO MURO/ NÚMERO 7 / ÁREA EDUCAÇÃO - 11 SEPEX -UFSC, 2012.




Crianças de diferentes escolas vistam o estande, deixam suas marcas na argila e dialogam sobre o projeto com bolsistas, professores e técnicos adminstrativos diretamente envolvidos no projeto.
Crianças de grupos diveros do NDI visitam o estande acompanhados por seus(uas) professores(as) e bolsistas e deixam suas marcas na argila.
PROVOCAÇÕES CRIADORAS: encontro de sujeitos de diferentes idades e contextos socio-educativos onde a tônica é compartilhar a criação de formas e sensações através de falas, gestos, amassaduras e olhares.

 Crianças criam e brincam com personagens fantásticos modelados na argila no estande da SEPEX!
  Crianças criam e brincam com personagens fantásticos modelados na argila no estande da SEPEX! 


sábado, 20 de outubro de 2012

DEIXANDO MARCAS...



A ação de conhecer na infância é pautada no fazer, nos diferentes modos de sentir e descobrir as qualidades sensíveis da matéria, tal como pontuava Gaston Bachelard (1991). Um fazer intrinsecamente associado à atitude lúdica, a curiosidade, a observação da ação e reação desencadeadas, instigadas pelo encontro intimo e intenso, neste caso, dos bebês com a argila.

A cada novo encontro das crianças pequenininhas com a argila, novos desafios lhe são colocados, apresentados. Isto faz com que elas sejam provocadas de modos diversos pelas qualidades da matéria. Elas já se aventuraram pela lama e criaram uma trama visual única como a divulgada na postagem anterior, na qual mergulharam de corpo inteiro reafirmando o prazer em brincar com a água e a lama, fazer “misturinhas”, de provar-provocar as forças da imaginação criadora que se faz visível nos gestos que marcam a argila.  

“(...) o barro é um meio para a imaginação se realizar, fonte constitutiva de imagens, sendo a terra e a água os elementos “operadores de imagens”, no dinamismo mesmo do imaginar. O imaginário adquire uma realidade particular na medida em que a imaginação é geradora não apenas de formas, mas de valores e qualidades que apelam para a sensibilidade, recuperando para a imaginação seu papel de risco, perigo e criação, jamais identificada como função evasiva, mas como da transformação: é jogo de forças, embate entre forças humanas e naturais” (RICHTER e BLAUTH, 2001, p.03).

Formas, valores e qualidades que são por nós visualizados quando estamos com as crianças no ato mesmo da criação, mas também quando organizamos os registros por nós elaborados. Uma forma de organizar e criar outras significações para o vivido é a construção de pequenos vídeos a partir das imagens fotográficas. Este movimento levou os bolsistas do projeto: Lucas de Mello e Fernanda Hartmann, a assumirem também o papel de “produtores” destas visualidades audiovisuais. Uma proposta desafiadora para ambos, considerando que os mesmos nunca haviam trabalhado com programas de edição de imagens, construído roteiros ou mesmo participado de processos semelhantes na vida acadêmica ou particular. Uma tarefa que, segundo eles os possibilitou conhecer e lidar com linguagens que no curso normal de formação acadêmica não tiveram a ate então a possibilidade de conhecer. Esta proposição, na sua execução, nos leva (coordenadores e bolsistas) a refletir sobre que observamos e registramos, a perceber com maior clareza a forma como estamos nos relacionando com os bebês, como estamos orientando o processo, nos colocando nele. Assim, compartilhamos com vocês os vídeos produzidos pelos bolsistas e que fazem parte deste processo do nosso percurso de documentação do Projeto, buscando dar visibilidade de processos imaginativos geradores “não apenas de formas, mas de valores e qualidades que apelam para a sensibilidade, recuperando para a imaginação seu papel de risco, perigo e criação” (RICHTER e BLAUTH, 2001,p.03).

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O processo de documentação dos fazeres com os bebês tem nos possibilitado, cada vez mais, (re)significar a beleza sensível das suas descobertas e das visualidades que são engendradas no embate entre as suas ações e os blocos de argila, ou ainda, das suas ações com as misturas de cores diversas criadas com terra. É preciso lembrar que a documentação pedagógica não é uma “observação da criança”, mas é uma tentativa de olhar e compreender o que esta acontecendo na pratica pedagógica e o que os bebês são capazes de criar sem qualquer estrutura de normas e expectativas predeterminadas ou fixadas.

Este processo permite a construção de uma proposta pedagógica reflexiva e comunicativa e coloca todos os adultos envolvidos na construção de um relacionamento ético entre nós mesmos e a comunidade de modo mais amplo. Ao mesmo tempo, a documentação é indispensável para os discursos edificação de significados que temos divulgado neste blog e em outros espaços de discussão e reflexão sobre as práticas artístico-pedagógicas com os bebês. Assim, assumimos e compartilhamos a responsabilidade pela construção destes significados, sendo que eles nos permitem chegar às nossas próprias decisões e construir as criticas sobre elas.

Tendo em vista que a documentação é compreendida por nós como construção, as visualidades que a compõem, igualmente são assim compreendidas. Ou seja, não representam “a realidade”, mas o que conseguimos captar dela, o que escolhemos registrar dela. Assumimos então, que ela é parcial, seletiva e sempre contextual.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Arte no muro com os bebês: reflexões, pesquisas e planejamentos



 “...que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem com barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós”.
 Manoel de Barros





De fato nos parece ser complicado medir com balanças, esquemas matemáticos etc. a importância das ações deste projeto para as crianças e adultos nele envolvidos. No entanto, certamente temos nos encantado muito com ele, assim como nos parece que aos bebês. Tal afirmação vela em conta a curiosidade com que eles se aproximam das propostas, a disposição e desejo para o trabalho, pela alegria, gritos e sorrisos emitidos por eles, assim como o longo tempo de envolvimento nas proposições e o descontentamento quando precisam parar para comer, por exemplo. Do mesmo modo, temos acompanhado aqueles bebês que inicialmente tinham resistências a tocar no barro/lama e que agora já começam a fazê-lo sem que tenhamos que incentivar/encorajar mais de perto. Sim, este é um daqueles trabalhos não pode ser medido, avaliado com fita métrica como diz o poeta. Ele é um percurso a ser reconhecido/ pelo encantamento presente entre aqueles que estão envolvidos. Um encantamento que envolve e emerge de “processos criativos globais” das crianças pequenininhas no campo das artes visuais.




Para Fayga Ostrower (1987, p.142), os processos criativos globais envolvem a totalidade da personalidade, ou seja, “o modo de a pessoa diferenciar-se dentro de si, de ordenar e relacionar-se com os outros”. Compartilhamos com a autora a concepção de que criar configura-se na estruturação e comunicação do sujeito criador, integrando e transmitindo significados. E mais,


Ao criar, procuramos atingir uma realidade mais profunda do conhecimento das coisas [aqui os bebês estão conhecendo mais profundamente as forças criadoras do barro e das suas próprias potencialidades criadoras, descobrindo e construindo a sua personalidade]. Ganhamos concomitantemente um sentimento de estruturação interior maior; sentimos que nos estamos desenvolvendo em algo de essencial para o nosso ser. Daí se torna tão importante, para o artista ou para qualquer pessoa sensível, saber do trabalho de outros, ter contato com seres criativos, não no sentido de uma rivalidade, mas no sentido de um crescimento interior que também em nós se realiza quando podemos acompanhar a realização de outro ser. (Ostrower, 1987, p. 143)



A atenção sobre os processos de criação em si entre e das crianças, não significa dizer que o grupo deixe de refletir sobre as visualidades engendradas pelos bebês. Como este projeto envolve muita reflexão do grupo, em algumas reuniões – reuniões para além daquelas que os(as) professores(as) já estão envolvidos(as) no cotidiano do grupo de crianças e da própria instituição – dialogamos sobre as visualidades (bi ou tridimensionais) criadas. Esta dinâmica – que faz parte do processo de documentação como ciclo de investigação – é um dos pressupostos para que o encantamento, do qual falávamos inicialmente, ocorra.


 
Imagens da reunião de planejamento do grupo ocorrida em maio de 2012.

Os estudos e pesquisas é uma rotina entre a equipe que coordena, os bolsistas do projeto e professoras. Alguns dos materiais que encontramos, pesquisamos, estudamos podem ser encontrados e acessados aqui mesmo pelo blog nos links “Coisas que vamos descobrindo por aí” e “Grupos de pesquisa, artigos e outras publicações”. Também – e aí vai a extensão do encantamento – somos igualmente nutridos com materiais partilhados por professores(as) do NDI que não estão envolvidos diretamente no projeto. Aqui, destacamos a contribuição da professora Regina Ingrid sobre o trabalho do artista espanhol Miguel Ángel Blanco (Madri, 1958). A Biblioteca del bosque, trabalho do artista citado, igualmente nos encantou e, para conhecer a proposta de trabalho deste artista contemporâneo, basta clicar sobre a imagem e surpreender-se!


Imagem disponível em: http://www.bibliotecadelbosque.net/biblioteca.html Acessado em: 12/06/2012

Outro material que compartilhamos aqui mostra o trabalho realizado numa escola espanhola com crianças de 3 a 13 anos de idade, que coloca em contato direto e produzindo coletivamente, crianças e artistas.  Tal proposta foi divulgada dentro das discussões do “I Congreso Internacional de Arte, ilustración y cultura visual em educación infantil y primaria” (2010), promovido pela Universidade de Granada – Espanha.

O projeto busca não apenas ser incorporado no cotidiano do grupo, mas igualmente incorporar-se nos projetos e propostas que vão sendo gestadas em cada grupo de crianças, os encaminhamentos de continuidade do trabalho são diferentes. Isto também significa a atenção para com o movimento das crianças e as leituras de grupos que as professoras realizam. Além disso, buscamos explorar ao máximo o espaço em que a instituição se encontra, pois fazemos parte do Campus da Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (Florianópolis) e lembramos que muitos dos espaços (além dos projetos e propostas pedagógicas) desta Universidade estão abertos às crianças, seus professores e a comunidade em geral!